Moção de Congratulações pela passagem do aniversário de 468 anos de fundação da Cidade do Salvador, ocorrido em 29 de março de 2017.

 

O deputado infrafirmado vem, com esteio nos dispositivos regimentais, fazer inserir na ata dos trabalhos desta Egrégia Casa Legislativa, Moção de Congratulações pela passagem do aniversário de 468 anos de fundação da Cidade do Salvador, ocorrido em 29 de março de 2017.

Em 468 anos de existência – desde quando o navegador português Thomé de Souza desembarcou no Porto da Barra, em 29 de março de 1549 e fundou a Cidade do Salvador -, jamais faltou referência para classificar a primeira capital brasileira. “Cidade mais negra fora do continente africano”, “Cidade das igrejas”, “Cidade dos contrastes”, Cidade da alegria etc. Sem dúvida, é mesmo tudo isso. E mais. Aliás, muito mais.

Construída, por ordem do então rei de Portugal Dom João III, para ser uma extensão daquele País e promover a colonização da chamada América Lusitana, Salvador é uma cidade ímpar. Inicialmente povoada pelos índios tupinambás, no século 15, o município dispõe hoje de uma unidade territorial de 692.819 quilômetros quadrados, localizado no Território de Identidade Metropolitano de Salvador, junto a outros 12 municípios que também formam a Região Metropolitana de Salvador (RMS), também chamada de Grande Salvador.

Com uma população estimada em 3 milhões de pessoas – conforme último censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Salvador foi a capital do Brasil por 214 anos – de 1549 a 1763. Nesse período, o governo português instituiu no Brasil o sistema de governos gerais, e a atual capital baiana tornou-se um porto de apoio às navegações para o Oriente, assim como para a exportação de açúcar, face a força da lavoura de cana-de-açúcar do Recôncavo do Estado.

Com a mudança da capital brasileira para o Rio de Janeiro, em 1763, Salvador continuou como a mais pujante cidade da América Portuguesa até o início do século 19. Anos depois, o Recôncavo baiano viria a ser o principal palco da Guerra da Independência do Brasil, em 1822.

Devido a força de sua tradição religiosa, o número de igrejas de Salvador tornou-se outro símbolo de nossa cultura, inclusive musicada por um dos expoentes da música baiana e filho da terra. “…. 365 igrejas a Bahia tem. Numa eu me batizei, na segunda eu me carismei, na terceira eu vou me casar com a mulher que eu quero bem”. O saudoso compositor Dorival Caymmi, de certo, deixou-se levar pela conversa de que a cidade tinha uma igreja para cada dia do ano. Vai além disso.

Conforme a Arquidiocese de Salvador – primaz do país -, Salvador tem hoje 372 igrejas. Além do grande valor imaterial, expressa ainda a forte presença que a Igreja Católica teve na Península Ibérica e o poder político da elite colonial.

Esta dimensão histórica, hoje, se converte em números favoráveis à economia da capital. O turismo religioso, atualmente, traz 100 mil pessoas por ano a Salvador para conhecer suas igrejas e outros locais de adoração – prática que se recrudesceu com a morte e o processo de canonização de Irmã Dulce, que ficou conhecida como a Santa da Bahia.

Berço do samba e de grandes sambistas, Salvador se destaca ainda por suas belas praias – o Estado tem a maior faixa litorânea do país, com mais de 1.100 quilômetros de extensão -, com recorte especial para a Lagoa do Abaeté e suas águas escuras.

Outro traço próprio é a marcante presença na população de práticas, crenças, costumes e culinária de matriz africana. O longo calendário de festas populares, com especial notoriedade para o Carnaval, é outra característica que marca a cidade fundada por Thomé de Souza.

Os contrastes, especialmente no campo econômico, são outro elemento muito presente na vida soteropolitana, onde ricos e pobres compartilham espaços públicos comuns. Toda essa mistura de ritmos, valores, fé e história é responsável pela formação de uma gente muito singular.

Não se pode felicitar a primeira capital do país, sem falar de suas construções, monumentos e lugares. A Basília do Senhor do Bonfim, o Elevador Lacerda, os fortes de São Marcelo e do Humaitá, os seus faróis, o Dique do Tororó, o Terreiro de Mãe Menininha, o Pelourinho. E, fundamentalmente, de seu valor mais inestimável: a sua gente. Como são muitos seus filhos ilustres, nos mais variados campos da atividade humana, vamos nos deter na mundialmente conhecida hospitalidade desse povo.

No processo de transformação de 468 anos que Salvador sofreu, da fundação aos dias atuais, merece destaque o papel dos engenheiros baianos. Na pessoa do grande engenheiro civil, geólogo, geógrafo, cartógrafo e urbanista baiano, Theodoro Sampaio (1855 – 1937), faço uma saudação ao conjunto da categoria. Negro, nascido escravo e alforriado no batismo, filho de escrava com padre, Theodoro Sampaio deu enorme contribuição para o ciclo desenvolvimentista do país, da segunda metade do século 19 e início do século 20.

Fundador e ex-presidente do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, Theodoro Sampaio foi deputado federal (1927-1931), e integrou a Comissão Hidráulica do Império e a Comissão de Melhoramentos do Rio São Francisco. O crescimento do maior estado da nação, São Paulo, também muito se deveu à inteligência diferenciada desse ilustre baiano, nascido na localidade de Engenho Canabrava, então distrito de Santo Amaro, que se emancipou e hoje merecidamente carrega o nome de um filho que é orgulho dos baianos: município de Teodoro Sampaio.

A primeira capital brasileira, hoje, passa por transformações estruturantes que em breve lhe colocarão na condição de grande metrópole. Apesar do muito que ainda falta, especialmente no combate à violência e na geração de emprego e renda para sua população, a maturidade das atuais gestões estadual e municipal nos faz acreditar que em pouco tempo alcançaremos esse desejado status. A melhoria da qualidade de vida da população deve ser o foco precípuo das ações governamentais, nas duas instâncias de poder, notadamente com o crescimento do IDH – Índice de Desenvolvimento Humano -, medido pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Aproveito a data festiva para prestar saudações a todos os soteropolitanos, os nascidos e por adoção.

Pelo exposto, é que venho prestar esta justa homenagem a Salvador pelos seus 468 anos de fundação.

Que seja dado conhecimento desta moção à Prefeitura Municipal do Salvador, à Câmara de Vereadores do Salvador, ao Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, à Prefeitura Municipal de Teodoro Sampaio, à Executiva Estadual do Partido Social Democrático (PSD), ao Clube de Engenharia e ao Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea).

Sala das Sessões, 29 de março de 2017

ANGELO CORONEL

Dep. Estadual – PSD