Moção de aplauso pela passagem do cinqüentenário de inauguração do Teatro Castro Alves (TCA), ocorrida na noite do dia 4 de março de 1967.

O deputado infrafirmado vem, com esteio nos dispositivos regimentais, fazer inserir na ata dos trabalhos desta Egrégia Casa Legislativa, Moção de aplauso pela passagem do cinqüentenário de inauguração do Teatro Castro Alves (TCA), ocorrida na noite do dia 4 de março de 1967.

Aplauso. Aplauso dar nome a esta moção. Aplauso é a matéria-prima dos blocos abstratos que erigiram o objeto a que se quer celebrar esta peça legislativa. Aplauso é o combustível que move o ocupante de seu palco, camarins e coxia. Aplauso é também a alma de sua plateia e o oxigênio do artista.

Se a Bahia tem uma residência, esta é um teatro. Histórico. Casa que carrega o nome de um filho da terra que valeu-se das palavras para emoldurar sua breve existência e perenizar a poesia mundial. O Teatro Castro Alves é, sem dúvida, a morada da Bahia, concebida em forma de cultura e arte.

Nascido das ideias desenvolvimentistas do então governador Antônio Balbino (1955 – 1959), o Teatro Castro Alves é hoje o maior complexo cultural da Bahia e do Nordeste. Com seus oito espaços, o TCA consolidou-se como um palco vivo e efervescente para a produção e exibição da cultura internacional, notadamente a baiana. O teatro é formado pela Sala Principal, Sala do Coro, Concha Acústica, Foyer, Centro Técnico, Vão Livre, Jardim Suspenso e o Café Teatro.

Com a presença do então presidente da República, marechal Castelo Branco (1964 – 1967), e personalidades do mundo artístico brasileiro, como Dorival Caymmi, Paulinho da Viola, Clementina de Jesus, Quinteto Villa Lobos, Companhia Nacional de Ballet e o Madrigal da Universidade Federal da Bahia, o então chefe do Executivo estadual, governador Lomanto Júnior (1963 – 1967), entregou o teatro aos baianos.

Aquela noite de gala de março de 1967 assistiu ainda a um recital de poesias, alusivo aos 120 anos de nascimento do poeta baiano que empresta o nome ao equipamento, Castro Alves, o Poeta dos Escravos. Em meio a memoráveis espetáculos locais, nacionais e internacionais, assentam-se ainda sobre sua história duas tragédias, incêndios de elevadas proporções que culminaram com as reformas.

A primeira deu-se antes mesmo de sua inauguração. Era madrugada de 9 de julho de 1958, cinco dias antes de sua abertura, labaredas irromperam suas dependências, destruindo-as inteiramente. Um curto-circuito teria sido a causa do sinistro. O TCA volta a arder em chamas em 1989. Em 1991 passa por nova reforma, sendo reinaugurado em 22 de março de 1993. Foi outra noite inesquecível, que reuniu no palco da Sala Principal os baianos Maria Bethânia, Gal Costa e João Gilberto.

A ideia de se construir um grande teatro para a capital baiana surgiu de um projeto de lei do então deputado estadual Antônio Balbino, em junho de 1948, ano em que o projeto original do TCA foi concebido pelos arquitetos Alcides da Rocha Miranda e José de Souza Reis. Porém, o projeto que prevaleceu foi o de José Bina Fonyat Filho e do engenheiro Humberto Lemos Lopes que, inclusive, acabaram vencendo a IV Bienal de São Paulo, com um conceito arrojado e moderno.

O Teatro Castro Alves dispõe hoje de três projetos permanentes: A Orquestra Sinfônica da Bahia (OSBA), o Balé do Teatro Castro Alves (BTCA) e os Núcleos Estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia (NEOJIBÁ), além de iniciativas paralelas como o Domingo no TCA e o Conversas Plugadas.

O TCA promove ainda outra gama de atividades de linguagem artística variada, a exemplo de oficinas, bate-papos, exposições e lançamento de livros, além de apoiar grupos de teatro e dança.

O complexo do Castro Alves passa por um processo de requalificação e ampliação, com investimentos do Governo do Estado da ordem de R$ 80 milhões, além de um aporte de R$ 10 milhões do Ministério da Cultura (Minc). A primeira etapa do Novo TCA foi entregue em maio de 2016, com a reforma completa da Concha Acústica.

Como a Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) também vive um novo momento e novas atitudes, não poderíamos deixar de celebrar, de forma marcante, os 50 anos da “residência cultural da Bahia”. Nesse sentido, a Alba realiza uma Sessão Especial em Comemoração ao Cinquentenário do TCA, amanhã, 24 de maio de 2017, às 19 horas, na Sala Principal do teatro. A proponente é a deputada Fabíola Mansur (PSB), que preside a Comissão de Educação, Ciência, Tecnologia e Serviços Públicos da Casa.

Pelo exposto, é que venho prestar esta justa homenagem ao Teatro Castro Alves, bem como a todos os artistas baianos ou não, que nesse meio século apresentaram o seu talento, nas mais diversas formas de expressão artística, naquela Casa.

Que seja dado conhecimento desta moção ao Teatro Castro Alves, à Fundação Cultural do Estado, à Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia, à Orquestra Sinfônica da Bahia (OSBA) e ao Núcleo NEOJIBÁ.

Sala das Sessões, 23 de maio de 2017

ANGELO CORONEL

Dep. Estadual – PSD.