Ana Luíza Sousa
Na semana em que a CPI da Pandemia começou a tomar depoimentos, o senador Angelo Coronel (PSD-BA) fez um rápido balanço dos primeiros dias de trabalho da Comissão.
Coronel, que teve diversos requerimentos aprovados pela CPI, entre eles o que convida o presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres, teme que o colegiado vire palco eleitoral para 2022.
Em entrevista, ele também falou sobre eleições, CPMI das Fake News, da qual é presidente, reforma tributária e sobre a legalização dos jogos, que a seu ver seria a grande fonte de arrecadação do governo para bancar programas sociais.
Confira!
P: A considerar as últimas aquisições federais, já podemos ter esperança de agilizar a vacinação do país?
R: Não deixa de ser um passo, mas estamos longe do objetivo, que é imunizar toda população.
P – A vacinação em massa é a única esperança que temos para retomar a economia?
R: Sem sombra de dúvidas, a vacinação em massa é que vai tranquilizar a todos.
P: Qual sua impressão do início dos trabalhos da CPI da Pandemia com o depoimento do ministro da saúde e dos ex-ministros da pasta?
R: Os ministros, aliados do Planalto, vieram treinados, mas no depoimento do Mandetta ficou nítida a mágoa com o presidente, e nos deixa em dúvida quanto a sua efetiva ação no combate à pandemia. Fica fácil criticar quando se é demitido.
P: O senhor acredita que a CPI poderá se desdobrar em alguma ação mais contundente contra o governo?
R: Os depoimentos até então não nos trouxeram nada de novo. Espero que a CPI não vire um palco de promoções pessoais visando futuras eleições. Vamos aguardar os novos depoentes pra ver se vem algo inédito. O importante é somarmos esforços para salvar vidas.
P: O senhor acha que tem faltado imparcialidade à Anvisa?
R: Infelizmente a Anvisa virou uma agência literalmente parcial, deveriam ter consciência de que salvar vidas é prioridade. Chega de politicagem.
Para Coronel, Anvisa é parcial (Foto Ana Luíza Sousa)
P: Existe perspectiva para o retorno da CPMI das Fake News agora que a CPI da Pandemia foi instalada presencialmente?
R: A CPMI de combate às Fake News tem um formato diferente da CPI da Pandemia. A das Fake News é mista, ou seja, com senadores e deputados, além de ter um número de integrantes bem maior. Tão logo o país volte à normalidade, deveremos retomar todas as comissões. Teremos 204 dias pra concluirmos os trabalhos da CPMI e a relatora apresentar seu relatório propondo indiciamento criminal ou não dos que cometeram desvios de conduta, indo de encontro à legislação.
P: Considerando a conjuntura atual, qual a expectativa para a disputa presidencial? Bolsonaro chega forte? E como a presença de Lula pode mudar o jogo?
R: Estamos próximos de uma eleição plebiscitaria, em que a esquerda tentará tirar o representante da extrema direita. Porém, pode surgir uma terceira via, de centro, e embolar o jogo.
P:Ciro poderá se consolidar como uma terceira via à polarização Lula-Bolsonaro?
R: É um dos nomes colocados, mas existem vários nomes também aptos à disputa, e poderá surgir outro que desperte a fé e a credibilidade dos brasileiros e chegue à vitória. É bom salientar que já aconteceu no passado o povo eleger um que poucos davam crédito e, no final, chegou à vitória.
P: Qual sua opinião sobre a legalização dos jogos hoje proibidos e como o senhor tem atuado em relação a esse assunto?
R: O jogo, onde é liberado, é uma grande fonte de recursos para o governo. Só há três países desenvolvidos que não têm essa legalização, incluindo o Brasil. Sou relator do projeto de lei da legalização ampla para todas as modalidades, incluindo o cultural jogo do bicho. Não podemos deixar a hipocrisia vencer. Joga quem quer.
P: Como andam as discussões em torno da reforma tributária, sobretudo a que Guedes quer emplacar?
R: Sou titular da comissão da reforma e não podemos aceitar reforma meia boca. Luto pela redução de impostos tanto para pessoas físicas quanto para empresas, além de otimizar, simplificando a sua cobrança. Chega de escorcha fiscal.
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